Uma Linda e Triste Despedida

Álbuns de despedida na maioria das vezes possuem uma carga emocional mais forte do que a maioria dos álbuns da carreira de todo artista.

Principalmente quando esse álbum é intencionalmente uma despedida. Mais recentemente tivemos o álbum “Ordinary Man”, de Ozzy Osbourne, onde ele reflete sobre os anos intensos dos quais ele sente falta agora na velhice. Outro álbum icônico de despedida é o lendário Abbey Road, dos Beatles, onde a faixa final “The End” termina pedindo para que os fãs da banda espalhem o amor, terminando a carreira dessa lendária banda, de maneira magnífica.

Porém em um ritmo não tão feliz, temos a despedida que será dissecada nesse texto, dessa que também é uma banda lendária.

Fonte:google

Lançado em fevereiro de 1991, o álbum “Innuendo”, do Queen.
Nos anos 80, o terrível vírus HIV se espalhou no mundo de maneira implacável.

Milhões e milhões de pessoas foram infectadas na época, e pela falta de conhecimento na área, acabaram morrendo. Dentre as milhões de vítimas que o vírus acumulava, estava ele, a maior voz do rock e um dos maiores frontman da história da música, Freddie Mercury.

Freddie testou positivo para o vírus em abril de 1987, e a partir desse momento, sua saúde se deteriorou de maneira rápida. A partir de 1990, ele estava completamente recluso, não fazia aparições públicas e evitava até mesmo os repórteres que cercavam sua casa o dia inteiro.

Freddie estava completamente tomado pela doença, enfraquecido e com péssima aparência. É nesse contexto que surge “Innuendo”.


O álbum estava previsto para ser lançado antes do natal de 1990, para que com as festas, as vendas aumentassem. Porém, devido ao estado de Freddie, as gravações tiveram que seguir um ritmo mais lento, adiando um pouco seu lançamento.

O álbum se inicia com uma das faixas mais épicas já gravadas pelo Queen, que dá título ao álbum, “Innuendo”. Sendo uma das músicas mais longas gravadas pela banda, “Innuendo” se inicia com uma bateria no estilo militar, que vão aumentando até uma explosão, mostrando que o Queen ainda era tão incrível quanto todos se lembravam.

A faixa ainda conta com a participação do guitarrista do Yes, Steve Howe, para um solo de violão no estilo flamenco. Quanto a letra, “Innuendo” é inspirada na condição do vocalista, e mostra como os seres humanos são incapazes de viver em harmonia. Apesar de ter destacado a primeira faixa, todo o álbum é levado nesse ritmo, mais intenso e sentimental, justamente por Freddie Mercury saber que essa seria sua última obra.

Isso pode ser observado em várias faixas, como “These are the Days of Our Lives”, oi até mesmo “Delilah” onde Freddie declara seu amor por uma de suas gatas, que fora sua companheira durante todo o momento de sofrimento que passou.


Porém, o destaque mesmo, em todos os aspectos, fica para a faixa final, “The Show Must Go On”. É até difícil pensar a fundo sobre essa canção e não se emocionar.

O próprio título, que traduzido seria “O Show Deve Continuar”, já mostra o que Freddie queria dizer.

A letra inteira reflete a luta de Freddie, que mesmo tão debilitado, continuava se esforçando, como observado no refrão, que diz “por dentro meu coração está quebrado, minha maquiagem pode estar saindo mas meu sorriso continua”. Todos os membros da banda tinham receio de que Freddie não conseguiria executar a música de maneira precisa, por ela exigir um vocal intenso, como resposta, mesmo sem conseguir parar em pé ou respirar sem sentir dor, Freddie Mercury proporcionou uma de suas melhores performances vocais em anos em um único take, terminando assim o último álbum de sua carreira dizendo aos seus companheiros de banda que, talvez seja difícil, mas que o show deve continuar sem ele.

Um mês após a gravação de “The Show Must Go On” Freddie nos deixa devido a uma broncopneumonia, em decorrência da AIDS.


Nenhum álbum da banda possuí uma energia tão forte e mensagens tão tristes quanto “Innuendo”. Sendo a carta de despedida do gigante e inigualável Freddie Mercury, que mesmo em uma situação tão terrível, com seu esforço, fez algo tão grandioso.

Em respeito à esse grande homem eu peço a você, ouça “Innuendo”.

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