Meu álbum favorito do Pink Floyd Por Miguel Bafero

Animals.

O Pink Floyd é uma daquelas poucas bandas que podemos dizer que mudaram completamente o rumo da música, e que mesmo após mais 50 anos de sua estréia, continuam influenciando inúmeras pessoas.

Quando se trata de sua discografia, o normal é que se pense no icônico Dark Side of the Moon (1973), com a capa mais famosa da história do rock e com composições que realmente mudaram a maneira como as pessoas consomem e produzem música, ou no The Wall (1979), que tem proporções épicas ao longo do disco, se tornando o mais próximo de uma ópera que o rock já chegou.

Porém, meu disco predileto da banda é o Animals, de 1977.
O disco compõe o “big four” do Pink Floyd, formados por Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall, e muitas vezes é considerado o mais fraco dentre os 4, o que na minha opinião, é uma grande injustiça. Animals, assim como Wish You Were Here, possuí apenas 5 faixas, sendo elas Pigs on the Wing part I, Dogs, Pigs, Sheep e Pigs on the Wing part II, e com excessão das faixas de abertura e encerramento, são longas canções de mais de 10 minutos e apresentam o melhor lado de cada um dos integrantes. David Gilmour com solos épicos como sempre, destacando-se especialmente em Dogs, e Nick Mason com sua bateria sempre perfeita para o ritmo de cada faixa.
Mas os dois membros q mais se destacam no álbum são Richard Wrigh e Roger Waters. Wrigh nunca foi tão presente em um álbum quanto no Animals, com solos deliciosamente longos em todas faixas, seus teclados ditam o ritmo do álbum inteiro, sempre muito marcante.

Destaque especial para Dogs e Sheep, onde o diferencial das canções realmente são seus solos de teclado. Enquanto que para o Waters, a atuação fica no campo das letras e do conceito, uma vez que ele foi o grande idealizador do álbum. Animals foi gravado num momento onde o baixista estava realmente puto com a vida, e por isso apresenta algumas das composições mais ácidas e marcantes da banda. Com grande referência do livro “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, Waters cria o conceito do álbum todo voltado a uma crítica social, onde animais representam camadas específicas da sociedade. Os porcos sendo os poderosos, as pessoas que realmente mandam no mundo, como presidentes e donos de empresas multi milionárias. Os cães seriam as pessoas que lutam para se sobressair no mercado, para vencer na vida e ter um certo nível de reconhecimento, Waters se identifica como um cão como pode ser observado na faixa Pigs on the Wing part II. E o resto da população seriam as ovelhas, vítimas de cães e obediente de porcos, e que nem sequer tem conhecimento do quão caótico e terrível é o mundo fora dos pastos verdes onde vivem.
Com esse conceito genial e letras mais geniais ainda, Roger Waters faz críticas ferrenhas ao capitalismo adotado na Inglaterra, e à maneira como somos condicionados a vivermos sempre brigando por um espaço, ou aceitando nossa condição de “ovelha” no mundo. A letra mais marcante do álbum com certeza é a de Dogs, com as mensagens mais fortes e maior envolvimento pessoal de seu compositor.

Animals é não só uma grande obra instrumental e poética, mas também um envolvimento pessoal muito grande de Waters, onde ele claramente canta sobre si mesmo em Pigs on the Wing, declarando seu amor a sua esposa, e dizendo que sem ela, não aguentaria o peso de viver nesse mundo.
Goste-se ou não das opiniões políticas da banda, Animals é inegavelmente uma peça de arte da música, em todos os aspectos, e deve ser apreciada com mais valor por todos os fãs e não fãs da banda. Animals é, na minha opinião, o melhor álbum dessa que é uma das melhores bandas de todos os tempos. Ouça Animals

Link do disco

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